Ananias, o Galã das Gerais



Campeonato Pernambucano de 1953. O Santa Cruz ainda não dispõe do Mundão ou Colosso do Arruda, que tanto orgulha sua torcida, oficialmente chamado de Estádio José do Rego Maciel. Antes era o Alçapão do Arruda, rodeado por coqueiros e mangueiras, tendo de um lado, o da entrada, pela Rua das Moças, uma tosca arquibancada de madeira. Lá, o Mais Querido treinava e realizava amistosos. Quanto aos jogos oficiais, levava-os, ora para a Ilha do Retiro, ora para os Aflitos.

O domingo 2 de dezembro era dia de Clássico das Multidões. Jogo programado para os Aflitos, que, como sempre, foi tomado de assalto pelo povão do Santa, que dominava as gerais, na área do Balança, Mas Não Cai, que dava para a Rua Manuel de Carvalho.
Muitos torcedores estavam encostados ao alambrado.

Assim, era possível ver seus ídolos mais de perto, principalmente o lateral esquerdo Ananias. Este foi batizado pelo jornalista Aramis Trindade, tricolor, na debochada coluna Coisas de Mercenários, no vespertino Diário da Noite, que assinava com o pseudônimo de Cabo Tino, como “O Galã das Gerais”.  
Barbosa, Palito, Lucas, Aldemar, Calico, Ananias, Jorge de Castro, Luiz Marine, Marinho, Amaury e Zeca



Ananias, um negro de estatura mediana, torado no grosso, poderia não ser um jogador dotado de muito talento, mas se destacava pela garra e pela marcação persistente que fazia ao ponta-direita adversário, de acordo com o sistema tático da época.

DUELO COM CARLINHOS

Naquele encontro com o Náutico, Ananias encara o ágil e driblador Carlinhos. Este, embora defenda o Sport, tem uma forte ascendência tricolor. É neto e sobrinho, respectivamente, dos médicos Álvaro e Nilson Ramos Leal, pai e filho, ambos com uma larga folha de serviços prestados ao Santa, para onde Carlinhos terminaria se transferindo mais tarde. 
Carlinhos, como qualquer ponta, costuma levar a bola até a linha de fundo, de onde faz um cruzamento para a área. Porém, naquela tarde domingueira, ele recebe uma implacável marcação de Ananias. A cada jogada em que o Galã o desarma, a massa geraldina entra em delírio. Com isso, Ananias sente-se mais empolgado, procurando a cada jogada ir com tudo para cima do ponta.

No fim do jogo, o povão saboreia o gosto de mais uma vitória sobre o tradicional rival, por 1x0, gol de Hamilton, um baiano que brilha como artilheiro em Pernambuco, tendo jogado ainda pelo Náutico e pelo América.

O Santa, naquela jornada vitoriosa, alinhou Neves, Godofredo e Lucas; Diogo, Bria e Ananias; Jorge de Castro, Hamilton, Paraíba, Amaury e Hélio.  O centromédio Bria nada tem a ver com o baiano Bria que defendeu o Sport e o América. Trata-se de Modesto Bria, que atuou no Flamengo do Rio, como jogador e treinador.

Por causa da simplicidade e do empenho de Ananias havia uma certa cumplicidade entre ele e os frequentadores da geral, gente humilde como aquele ardoroso defensor do Santinha.

O tricolor Marco Maciel, que durante muito tempo esteve em grande evidência na política nacional, tendo assumido algumas vezes, eventualmente, a Presidência da República, costumava repetir nas entrevistas uma frase atribuída ao simplório Ananias: “Os prognósticos só dou depois do jogo”.

Titular da lateral esquerda tricolor de 1952 a 1955, cedeu o lugar a Edinho, tendo passado a defender o Ferroviário. 



Comentários

  1. Luiz Marinho. O maior jogador de toda a história do Santa Cruz. E Barbosa. Lembra-se do maior frango que ele levou no jogo contra o América, na Ilha.? Quando falo de Marinho, falo do seu caráter. Chegou ao santinha, com um grave problema no joelho. E , aos cuidados do doutor Braulio, se recuperou... e logo foi para a Itália ( Genova ). Antes de ir garantiu : voltando ao Brasil, só jogarei pelo Santa Cruz. E foi o que fez. Foi recebido, com uma grande carreata de torcedores. Jogo pelo santinha e pendurou as chuteiras.

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  2. Luiz Marinho. O maior jogador de toda a história do Santa Cruz. E Barbosa. Lembra-se do maior frango que ele levou no jogo contra o América, na Ilha.? Quando falo de Marinho, falo do seu caráter. Chegou ao santinha, com um grave problema no joelho. E , aos cuidados do doutor Braulio, se recuperou... e logo foi para a Itália ( Genova ). Antes de ir garantiu : voltando ao Brasil, só jogarei pelo Santa Cruz. E foi o que fez. Foi recebido, com uma grande carreata de torcedores. Jogo pelo santinha e pendurou as chuteiras.

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  3. Destaco como os melhores: ALDEMAR(o príncipe),era o único que anulava Naninho,o artilheiro do sport.,Marinho(um centro avante muito técnico e goleador) e Jorge de Castro,um ponteiro arisco e raçudo..Palito,era magro mas dava muito caçetada.Ananias,jogava para a torcida,era um touro..


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