O QUASE ALVIRRUBRO JOSÉ ROBERTO MASSA

 

A Lagoa do Náutico em 2014 (Reprodução Governo do Estado)



Por Edgar Mattos




José Roberto Massa foi, como todos sabem, um empresário paulista, “dono” da empresa Caio Norte, que aqui aportou nos anos setenta, e se tornou Presidente do Sport Clube do Recife.

Poucos sabem, no entanto, que antes de se vincular ao clube rubro-negro, José Roberto teve uma passagem pelo Náutico, quase se tornando um dirigente alvirrubro.

Como participante direto desse episódio, “o caso eu conto como o caso foi”.

Não sei se os mais novos já ouviram falar do Departamento de Tiro, Caça e Pesca, do Náutico, localizado em grande propriedade situada em Pontezinha, no Cabo, às margens de uma lagoa, por isso até hoje conhecida como “Lagoa do Náutico”.

Essa extensa área fora doada ao nosso clube pelo saudoso Carlos Guimarães, “inventor” do famoso Elixir Sanativo.

Pois bem, aquilo vivia abandonado até que eu – a verdade histórica não me permite ser modesto – iniciei ali uma “pelada” semanal com um grupo formado, inicialmente por meus primos, Paulo Salgado e Silvio Gomes de Mattos, e por um cunhado, Roberto de Carvalho Paes de Andrade, logo ampliado com amigos, dentre os quais Luiz Carlos Falbo,- o saudoso Lula Falbo -, José Carlos Regueira, Otávio Carvalheira e os seus filhos, Hercílio Cavalcanti, Murilo Paulo, Waldir Nagem – pai dos atuais donos da Nagem Informática – dentre muitos outros que, logo, a nós se juntaram, em número suficiente para formarmos sempre duas equipes.

Havia um campinho gramado e, logo “fundamos’ um barzinho no qual, após a renhida disputa dos sábados, aproveitávamos a inexistência da “lei seca” para, aplacando a sede com umas cervejinhas, comentarmos os lances da pelada até o anoitecer, quando gigantescas e vorazes muriçocas nos mandavam para casa...

Um dia, trazido por um desses amigos, lá apareceu o Zé Roberto Massa que se tornou um assíduo aficionado dessas nossas “sabatinas”.

Com seu espírito empreendedor e o seu poderio financeiros, o Zé Roberto logo promoveu a construção de uma quadra cimentada onde as esposas dos “peladeiros” começaram, paralelamente, a praticar o seu volibol.

Alguns brinquedos foram também providenciados para que a petizada, eventualmente presente, pudesse também se divertir. O “Caça e Pesca” era, portanto, para nós, um programa familiar completo.

De todos esses acontecimentos, o Náutico nenhuma notícia tinha, pois nunca “tomou posse” efetivamente daquela propriedade.

Tantos melhoramentos introduzimos no “Caça-e-Pesca” que, liderados pelo Zé Roberto, tivemos a idéia de propor ao Náutico a transformação daquela unidade num “Departamento Autônomo”, sem o risco de um repentino e imotivado “despejo” (Só a lagoa tinha um potencial incrível para ser explorado, sobretudo em se tratando de um clube “náutico”)

Como advogado, coube-me a tarefa de estruturar juridicamente o novo departamento, cujos estatutos foram discutidos em reuniões realizadas no Edifício Acaiaca, em Boa Viagem, residência do Zé Roberto que, naturalmente, seria o mais cotado para comandar esse Departamento Autônomo.

Submetida ao Conselho do clube, essa proposta não logrou, contudo, aprovação. Havia - soube-se depois - já a intenção, poucos anos depois concretizada, de vender aquela propriedade, transação efetuada com a habitual nebulosidade. Sabe-se, apenas, que o preço oficialmente anunciado foi simplesmente ridículo...

Pois bem, anos depois, desestimulado por essa rejeição do Náutico, o Zé Roberto Massa foi emprestar sua “rica” colaboração ao Sport, onde foi tão bem acolhido que acabou sendo um operoso Presidente do nosso rival.

Coisas do Náutico...

 

 





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