MUNDO DA BOLA-Lenivaldo Aragão

Ex-árbitro Gilson Cordeiro-Reprodução


 

No Maracanã, um time sem goleiro e nem o juiz viu



 

Ex-juiz de futebol, Gilson Ramos Cordeiro, delegado de polícia aposentado, que depois passou a atuar como advogado, diplomado em jornalismo sem jamais ter exercido a profissão, não passou impune pela arbitragem. Esteve envolvido em muitas situações engraçadas, como esta que vou contar.

            No Campeonato Brasileiro de 1983, Gilson dirigia, no Maracanã,  Botafogo x Colorado do Paraná, que não existe mais. Juntou-se ao Pinheiros, em 1989, e da fusão surgiu o Paraná Clube.

Jogo correndo tranquilamente, os times travando um duelo equilibrado. Tanto que no primeiro tempo o placar não funcionou. Depois do descanso regulamentar do intervalo da partida, cariocas e paranaenses voltaram para disputar a segunda fase. O árbitro pernambucano esperou que os jogadores tomassem posição, conferiu a distribuição dos jogadores em campo, juntamente com os bandeirinhas, e “priu”. Estava dada a ordem para o jogo ser reiniciado.

A bola começou a rolar sem que Gilson e os atletas dessem pela ausência do goleiro Zico, do Colorado, que havia retardado sua volta ao gramado. Certamente tinha dado uma cochilada, não percebendo o retorno da sua turma ao gramado.

Ao perceber que estava sozinho no camarim, como o vestiário é conhecido em Portugal, e ouvir a gritaria dos torcedores, lá fora, Zico percebeu que algo de anormal estava acontecendo. Fez finca-pé, subiu velozmente os degraus que levam ao campo, e invadiu o gramado, para espanto de todos, com a bola em pleno movimento. Um minuto e meio havia se passado, com a partida transcorrendo e o goleiro visitante na sua letargia. 

“Olha eu aqui, olha eu aqui” – gritou o atribulado Zico, assustando Gilson Cordeiro, seus auxiliares, os 21 jogadores que estavam em ação, repórteres e torcedores.  

Gilson Cordeiro, o mais espantado de todos, esperou que o retardatário  ocupasse seu posto e botou o jogo pra andar.

Depois do encontro, Zico, que atuara pela primeira vez no então “maior estádio do mundo”, fez uma crítica, de leve, ao juiz:

“O estádio é muito grande, por isso é preciso prestar muita atenção a tudo o que acontece”.

Só se esqueceu de explicar por que havia chegado atrasado, com a bola já em movimento,

Ainda bem que nesse ínterim não foi marcado um gol. Aí, o forrobodó estaria armado, com o jogo indo para o Tribunal de Justiça Desportiva, o às vezes amado e às vezes odiado TJD.

FOTO: Árbitro Gilson Cordeiro-Reprodução

           

 


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