Náutico, uma grande família (1)

Isaac, Tará e Orlando, os irmãos Viana (Foto: reprodução do livro O Náutico, a bola e as lembranças)


TARÁ E OS IRMÃOS


 

Lucídio José de Oliveira

 


(Esta série de artigos é uma homenagem ao Clube Náutico Capibaribe no seu 122º aniversário de fundação)


 

Com a chegada de Tará aos Aflitos, em abril de 1943, o Náutico pôde reunir no seu time principal três irmãos para compor o trio atacante: Isaac, Tará e Orlando. Tará estava vindo do Santa Cruz, Isaac defendera o América no ano anterior. Orlando, pelo contrário, era prata da casa. Desde menino habituara-se a uma só camisa, a alvirrubra. Começara entre os garotos do infantil, destacando-se a seguir entre os juvenis, quando se sagrou campeão e se tornou ídolo nos Aflitos. Foi o grande xodó da torcida do Náutico na primeira metade dos anos 40. Seria ídolo também no Fluminense e chegaria à Seleção Brasileira, campeão do Sul-Americano de 1949.

 

A reunião dos irmãos Viana representa uma nova fase do Náutico. No ano anterior, Fernando Carvalheira havia se despedido dos gramados. Era o último dos Carvalheira a abandonar o futebol. Artur, Emídio e Zezé tinham parado antes. 

 

Assim como os Carvalheira, os irmãos Viana também formavam um quarteto. Além do trio atacante, tinha mais um Viana, de nome Gérson, que jogava no ataque. Era dos aspirantes, uma espécie de time reserva que disputava um campeonato à parte, fazendo os jogos da preliminar.  

 

E se os Carvalheira, em uma oportunidade, chegaram a jogar juntos uma partida de campeonato, em 1937, um pouco antes da despedida de Artur, os irmãos Viana também estiveram reunidos numa mesma linha de ataque em um jogo oficial do Náutico. Aconteceu em maio de 1944, jogo contra o América na Ilha do Retiro.  

 

A primeira partida de campeonato que os Viana jogaram juntos foi contra o Flamengo, dia 8 de abril de 1943. Estréia oficial de Tará no time alvirrubro, um noturno realizado nos Aflitos.

 

Esse jogo tem uma outra curiosidade histórica. No setor de defesa do time, dois outros irmãos também se faziam presentes. Um deles era o centro-médio, o outro ocupava a lateral-direita.

 

Eram conhecidos como os irmãos Periquito, nome de família. Periquito I e Periquito II, seguindo o modelo daquele tempo para diferenciar jogadores com o mesmo nome. No registro civil, Aloísio e Délcio Periquito.

 

Para os curiosos, a escalação do Náutico no dia daquele jogo historio,  estréia de Tará, quase a metade do time formado por dois grupos de irmãos: Vicente, Periquito I e Mário Ramos; Edvaldo, Periquito II e Jorge; Plínio. Isaac, Tará, Orlando e Celso.

 

Mais curiosidades: os gols foram marcados por Tará (3), Celso (3), Mário Ramos (1) e Orlando (1). Tará fez seus últimos dois gols quando faltavam apenas três minutos para o término da partida. Coisa assim no melhor estilo Pelé. 

 

 

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