RINALDO

 O craque que surgiu no cheiro do melaço e do açúcar


 

O Náutico campeão de 1963. Zequinha, Waldemar, Zé Luís, Evandro, Gilson Costa e Clóvis; agachados: Nado, Bita, China, Ivan e Rinaldo (Foto: Arquivo do Blog)

“Fala, campeão”. Era assim que o ex-ponta-esquerda Rinaldo tratava qualquer um que a ele se dirigia. Nascido em Jurema, Pernambuco, Rinaldo Luiz Dias Amorim radicou-se, com a família,  em Carpina. O ex-craque não esperou pela chegada do 122º aniversário de fundação do Náutico, o clube de seu coração, ocorrido nesta Sexta-Feira da Paixão, 07/04/2023 – o Alvirrubro foi fundado em 07/04/1901.  

Com 82 anos, Lapada, como era conhecido na intimidade do elenco timbu, no início dos anos 60, partiu para a eternidade quarta-feira (5), portanto, dois dias antes da comemoração do Alvirrubro. Estava hospitalizado havia várias semanas, com anemia.

NO FUTEBOL DAS USINAS

No auge do movimentadíssimo Campeonato das Usinas, chancelado pela Empresa Jornal do Commercio, hoje  Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, o jovem Rinaldo defendia o Esporte Clube Maravilhas. Foi descoberto pelo Auto Esporte de João Pessoa, num amistoso em Goiana. O Auto enfrentava a equipe que representava a Usina Nossa Senhora das Maravilhas, situada naquela cidade da Mata Norte de Pernambuco, no limite com a Paraíba. Logo Rinaldo estava vestindo a camisa do alvirrubro paraibano. Porém, foi no Treze de Campina Grande, que brilhou intensamente e terminou chamando a atenção do Náutico.

PREVISÃO DE GONZALEZ

No início de 1962 foi adquirido pelo Náutico para atuar como meia armador.  Porém, o Timbu tinha um ponta-esquerda em início de carreira, vindo do Palmeiras, indicado pelo técnico Alfredo Gonzalez, que o conhecia muito bem.

O treinador argentino resolveu inverter as posições da dupla Rinaldo-Ivan. Os dois, de saída, não aceitaram a mudança. O  paulista de Santa Cruz do Rio Prado chegou a pensar em voltar para São Paulo. Rinaldo também estava insatisfeito com a decisão. Considerava-se um meia armador e ponto final. Terminou cedendo a uma previsão em que Gonzalez demonstrou seu olho clínico. A dupla se deu muito bem.

O treinador, contratado pelo Náutico no início de 1962, mostrou a Rinaldo que o futebol brasileiro estava carente de ponta-esquerda e ele, como tinha todas as características para atuar ali, certamente despertaria o interesse de um grande clube sudestino, o que lhe abriria as portas da Seleção. Ivan já havia concordando com a troca.    

Um tanto a contragosto, Rinaldo aceitou os argumentos do técnico, de forma que ao estrear pelo Timbu em 1º de maio de 1962, no tradicional amistoso de portões abertos comemorativo do Dia do Trabalho, já ocupava o novo posto no time alvirrubro. Naquele feriado, com o Estádio da Ilha do Retiro superlotado, o Náutico perdeu para o Santa Cruz por 3 x 2. O centroavante China marcou os gols da equipe da Avenida Conselheiro Rosa. A torcida deixou a Ilha acabrunhada com a derrota, mas fazendo elogios ao comportamento da ala esquerda, agora com as posições invertidas. No amistoso, o Náutico alinhou: Waldemar; Paulinho, Zé Luís, Gilson Costa e Evandro; Salomão e Ivan; Nado, Bita, China e Rinaldo.

Em 1963, Rinaldo teve participação decisiva na conquista do título que culminaria com o ainda festejado hexacampeonato alvirrubro (1963-68). Dividiu a artilharia do campeonato com o companheiro China, ambos com 18 gols. No ano seguinte foi negociado com o Palmeiras, pelo qual estreou em 30/4/1964. Um mês depois, a  30/5/1964, o Brasil goleava a Inglaterra, no Maracanã, por 5 x 1, em jogo da Copa das Nações. Rinaldo fez uma partida esplêndida, marcando dois dos cinco gols brasileiros. Os outros foram de Pelé, Julinho Botelho e Roberto Dias. O time do Brasil: Gilmar; Carlos Alberto Torres, Brito, Joel e Rildo; Dias e Gérson; Julinho, Vavá, Pelé e Rinaldo. Técnico: Vicente Feola.

Daí para frente, o futebol do pernambucano passou a ser reconhecido em todas as partes do País. Foi convocado outras vezes, porém, sem ter chegado a disputar uma Copa do Mundo.


 

Ataque da Seleção, com Rinaldo: Garrincha, Ademir da Guia, Flávio, Pelé e Rinaldo (Reprodução)

FUTEBOL EM FAMÍLIA

Roberto, um dos dois irmãos de Rinaldo, também jogou bola. Bom lateral esquerdo, defendeu vários clubes do Nordeste.

Outro irmão, Romero, meia armador, também levava jeito. Andou treinando no Náutico, mas entrou no IAA (Instituto do Açúcar e do Álcool) e não teve mais tempo para a bola. Fora da burocracia dedicou-se ao frevo. Foi fundador do evento “Aurora dos Carnavais”, que todos os anos, pertinho do Carnaval, reúne uma gama de blocos na Rua da Aurora. O ritmo dolente e apaixonante executado e cantado pelas agremiações voltadas exclusivamente para o frevos-de-bloco, cada uma orgulhosa de seu flabelo, que muitos confundem com estandarte, enchem aquela bela artéria do centro do Recife de animação e esplendor. Romero Amorim também era compositor.

FICHA DO CRAQUE

Nome: RINALDO Luiz de Amorim
Posição: Ponta-esquerda
Nasceu: 19/02/1941, em Jurema-PE

Morreu: 05/04/2023, no Recife-PE

Carreira profissional:

Auto Esporte(PB) (1960)

Treze(PB) (1961 a 1962)

Náutico(PE) (1962 a 1964)

Palmeiras(SP) (1964 a 1967)

Fluminense(RJ) (1967 a 1968)

Palmeiras(SP) (1968)

Coritiba(PR) (1968 a 1972)

Marília(SP) (1973)

Garça(SP) (1973 a 1975)

União Barbarense(SP) (1975 a 1976)

América(SP) (1976 a 1977)

Amparo(SP) (1977 a 1978)

Guaçuano(SP) (1978).

 

 

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