MUNDO DA BOLA-Lenivaldo Aragão

 


 

O candidato a juiz quase vira picadinho





Muito tempo atrás, quando Argemiro Félix de Sena, o célebre Sherlock, dirigia o Departamento de Árbitros da FPF, não existia  curso de arbitragem. O candidato a juiz se apresentava, fazia um teste teórico e se não soubesse as 17 regras decoradas tinha que estudar mais. Quando estivesse pronto seria submetido a uma prova prática, sendo escalado para dirigir um jogo, geralmente no subúrbio. Numa dessas ocasiões, um candidato teve um desempenho tão ruim, que antes do término da partida, a torcida do time da casa, que estava na pior, invadiu o campo para agredi-lo.
Os enfurecidos torcedores tratavam o árbitro pejorativamente, chamando-o de soprador de apito e guarda noturno – este andava de um lado para outro durante a noite apitando estridentemente para afastar os malfeitores da área onde atuava. Os jogadores do anfitrião também entraram no fuzuê e depois de levar umas bordoadas, o juiz conseguiu dar uma escapulida, meteu a mão numa bolsa que havia deixado num cantinho e avisou que estava armado. Quem ousasse avançar levaria bala. Só que um dos espectadores deu uma espiada e viu que só havia roupa lá dentro. Foi logo jogando o pobre coitado novamente às feras:
- É mentira dele na bolsa só tem uma camisa e um par de sapatos.
         Foi o fim da picada. A turba, que já se mandava, com medo de levar chumbo, só fez  dar meia volta e partir de novo para a agressão. A essa altura, Sherlock, que já estava por perto e era muito respeitado, evitou que o candidato virasse picadinho na mão dos seus algozes.

 

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