Bem antes das atuais bets, o
Central teve uma banca de bicho
Paulinho, de bigode, e outros jogadores da época visitam a banca (Reprodução Placar)
LENIVALDO ARAGÃO
As apostas hoje estão
espalhadas em todas as direções do futebol brasileiro. As empresas especializadas, e legalizadas, aparecem
fartamente na mídia, patrocinando programas esportivos, clubes e federações.
A verdade é que apostadores
sempre existiram, mas à moda antiga, muitos por pura distração. Lembro-me de
Santana, um corpulento sargento da Marinha, aposentado, voz de barítono, que ia
ao jogo, no Recife, e às vezes em Caruaru, quando o Central recebia Náutico,
Santa Cruz ou Sport, levando um rádio
portátil, que era uma verdadeira mala, para poder acompanhar os outros
resultados. Dava plantão na Praça do Diário (oficialmente, Praça da
Independência), ao lado do quase bicentenário Diário de Pernambuco, na banca de
Seu Carlos (jornais, revistas, pilhas de rádio etc.), um italiano pernambucanizado,
torcedor do Náutico. O local era uma espécie de reduto dos apostadores. Apostava-se
no resultado do jogo, no primeiro gol, primeiro lateral, primeiro escanteio,
quantas bolas na trave, público e renda, e por aí vai. Dia de jogo, em cada
estádio havia um ponto em que a turma se juntava. Era um tal de dinheiro saindo
e entrando no bolso, com os pagamentos, tudo anotado, sendo feitos na hora.
Certa vez fui cobrir um jogo
do Náutico pela Taça Brasil, em Belo Horizonte. Santana pediu que lhe passasse de
lá um telegrama via Western, dando o câmbio do público (as apostas que estavam
correndo eram acima ou abaixo de 40 mil espectadores?) para ele fazer seu
investimento aqui. Uma mensagem pela
Western custava caro, ele quis me pagar, porém eu tirei o corpo e lhe disse que
não tinha tempo, embora fosse me hospedar diante do Café Nice, o quartel
general da aposta de lá, em plena Avenida Afonso Pena, bem no centro da cidade.
Eu é que não ia me meter numa
arapuca daquelas.
A SACADA DE EDGAR
Nos anos 80 nem se sonhava em loterias investindo diretamente no futebol, como agora, quando o Central de Caruaru deu uma sacada inovadora por iniciativa do presidente Edgar Aragão. Foi criada a banca de bicho Patativa da Sorte, cujo lucro destinava-se a melhorar a renda do clube.
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Reprodução revista Placar |
Na época foi um sucesso e deu matéria para a revista Placar,
feita por mim, como se pode conferir pela reprodução das fotos que ilustraram a
reportagem. Pode-se dizer que o Central foi pioneiro em explorar algum tipo de
jogo lotérico no futebol nacional. Ou não?
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