TEMPOS DIFÍCEIS

Reprodução Blog de Fernando Machado
Por CLAUDEMIR GOMES
“Senhoras e senhores! Neste instante, abrem-se as cortinas e começa o
espetáculo”. Com esta frase, o inesquecível Ivan Lima, um dos maiores
narradores do rádio esportivo brasileiro, iniciava a narração de todos os jogos
para os quais fora escalado. Através das ondas do rádio ele transformava a mais
simples partida de futebol num espetáculo memorável. Seu vozeirão era
reconhecido, e louvado, do Litoral ao Sertão. Capitaneando o “Escrete de Ouro”
nas rádios Clube e Jornal, deu uma contribuição substancial para transformar o
Pernambucano num dos campeonatos estaduais mais importantes no cenário
nacional. Privilegiados os que vivenciaram a época de ouro do futebol da “Nova
Roma”. Hoje, sem sofrimento, mas sentindo a aridez de uma terra que não tem
nada a dar, assistimos à primeira rodada da edição 2026 do Campeonato
Pernambucano, e apesar do esforço dos novos narradores, “ninguém riu, ninguém
brincou, e era carnaval”, como cantou Sérgio Ricardo, no clássico samba canção:
Zelão. Retrô 4x0 Vitória; Náutico 2x0 Maguary; Jaguar 2x2 Sport e Santa Cruz
3x0 Decisão. A primeira rodada do Estadual que desidratou com o tempo, não
apresentou nenhuma novidade, mas trouxe números preocupantes, pois a competição
que já foi o pudim da temporada, hoje amarga que nem jiló. Nos quatro jogos realizados
tivemos um total de público de 18.077 torcedores. Média de 4.519. Três das
quatro partidas disputadas tiveram como palco a Arena Pernambuco, onde o custo
operacional gira em torno de R$ 30 mil, por jogo. Resumindo: com exceção do
Náutico, que atuou no seu estádio, o Eládio de Barros Carvalho – Aflitos – em
todos os outros confrontos os clubes pagaram para jogar. Retrô 4x0 Vitória,
primeiro jogo do certame doméstico, teve o registro de 965 pagantes e uma renda
de R$ 4.390,00. Um clube intermediário de São Paulo recebe uma cota, para
disputar o Campeonato Paulista, superior ao patrocínio de todo o Campeonato
Pernambucano. Quando o rateio é feito entre os clubes, os “grandes” da Capital,
donos das maiores torcidas, recebem fatias generosas do pequeno bolo. Aos
coadjuvantes restam as migalhas. Pedi uma ajuda ao “Agente Secreto”, para que
ele investigasse os bastidores do futebol pernambucano, e descobrisse como a
maioria dos clubes sobrevivem no vermelho. O Wagner Moura não vai poder atender
minha solicitação. Está comemorando o inédito “Globo de Ouro”, ganho por um
ator brasileiro. Palmas pra ele! No futebol brasileiro, quando o assunto são
números tudo fica opaco. Transparência zero. Eis porque é tão difícil mergulhar
nos bastidores dos clubes. Cada vez mais me convenço de que o futebol
brasileiro não tem bastidores, e sim, labirintos onde, de repente, explode uma
bomba. A última foi no Morumbi. A turma até pensou que Trump estava se
apossando do São Paulo. A tergiversada foi grande, voltemos ao Pernambucano. O
maior adversário, para todos os times, em jogos de abertura de campeonato, é a
ansiedade. Portanto, no futebol, a primeira impressão pode ser enganosa. O que
vimos na estreia dos times no Pernambucano nos deixou com a certeza de que
precisam melhorar muito, para alcançarem o objetivo maior da temporada. O Sport
foi a campo com a meninada Sub20. O Leão ainda não disse para que veio. Nos
dias de hoje os jogos chegam até nós pelo canal do Youtube. Nas ondas do rádio,
as resenhas. E assim, o “palco da luta está deserto”. Sem espetáculo, sem Ivan
Lima... Não é fácil defender valores em tempos difíceis.
Comentários
Postar um comentário