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| Foto: Reprodução |
Muambeiro de araque dá bolo nos jogadores do Náutico
No
Campeonato Brasileiro de 1973, o Náutico estava em Belém para enfrentar o Remo.
Vivia-se a explosão da Zona Franca, em Manaus, a uma hora e meia de avião do
lugar onde a timbuzada se encontrava. Lá na capital do Amazonas havia uma gama
de produtos importados que não existiam em outros lugares do País. Todo mundo,
jogador, dirigente, jornalista, sonhava com uma viagem à Terra Manauara.
O
que mais os jogadores do Timbu lamentavam era o fato de estarem, ao mesmo tempo,
tão perto e tão longe do paraíso das compras, sem poderem se deliciar com as
inúmeras ofertas que o comércio amazonense expunha. Algumas vitrines de Belém
mostravam artigos procedentes do Amazonas, mas com os preços lá em cima.
De
um momento para outro estourou uma bomba no hotel. Um comerciante,
recém-chegado de Manaus, lotado de mercadorias, telefonara, colocando-se à
disposição dos pernambucanos. Tinha muita coisa interessante e prometia preços
camaradas, certamente um pouco mais acima dos da Zona Franca, pois estava
revendendo e precisava ter lucro.
O
mercador deixara um recado, marcando um encontro às duas e meia da tarde, na
Avenida Presidente Vargas, a principal da cidade. De lá levaria todos para seu
depósito. Foi uma festa. A boleirada contava o dinheiro que tinha, pensando na possibilidade de voltar a
Pernambuco com alguma coisa diferente para casa e para as crianças.
Na
hora aprazada estava a cambada do Alvirrubro lá, inclusive o técnico Mário
Celso de Abreu, o popular Marão. E haja espera, haja ansiedade, nada do homem
aparecer. Cada transeunte que surgia era uma esperança. Seria ele? Tudo em vão,
nada do homem. Chegou-se à conclusão de que poderia ter havido alguma bronca
com a fiscalização. Talvez o negociante aparecesse no próprio hotel com suas
bugigangas.
Como
o tempo estivesse passando, e o Náutico jogaria à noite, Marão determinou que
todos se recolhessem, pois precisavam descansar. E lá se foram os frustrados
jogadores do Náutico, tristes e de mãos abanando. Vieram saber à noite, depois
do jogo que o tal comerciante nunca existira. É que o lateral-direito Borges, egresso
do Central de Caruaru, tinha resolvido passar um trote só pra tirar um sarro
com os companheiros. Para ninguém desconfiar, ele mesmo estava lá, na avenida,
esperando, ansioso, o cara da muamba.
Quando
a farsa, contada pelo próprio autor, foi descoberta, houve muita gargalhada. E
tome xingamento para cima de Borges, que só não foi chamado de arroz doce, mas
na base da brincadeira.
A
decepção da turma dos Aflitos saiu em duplicata, pois além do muambeiro de
mentira, o Timbu foi derrotado por 1 x 0, jogando com Luís Fernando; Borges,
Djalma Sales, Sidcley e Franklin; Divino, Adilson (Jorge Mendonça) e Vasconcelos;
Betinho, Paraguaio e Elói.
FESTA PARA OS URUGAIOS SEM QUERER
Em Santa Cruz do Capibaribe, em 1950, a derrota do Brasil na final da Copa do Mundo para o Uruguai foi comemorada por engano. Esta e outras histórias engraçadas estão contadas em mais uma edição do BOLA EM FAMÍLIA, que estou tocando junto com Marcelo Aragão, via YouTube. Dê uma olhada, você vai gostar, garanto!


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