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| Garrincha executando mais um drible no seu marcador (Reprodução) |
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| De Sordi, Zito, Belline, Nilton Santos, Orlando e Gylmar; agachados-Garrincha, Didi, Pelé, Vavá, Zagallo e o massagista Mário Américo (Reprodução) |
Garrincha arrasou e o 'Cérebro Eletrônico' não viu a cor da bola
Sem desrespeitar o avanço da ciência, quando a Inteligência Artificial indica a Espanha como campeã da Copa do Mundo 2026, volto ao tempo e chego ao Mundial de 1958, que se realizou na Suécia.
Depois de derrotar a Áustria
por 3 x 0 e empatar com a Inglaterra por 0 x 0, o Brasil se preparava para
enfrentar a União Soviética, fechando sua caminhada nas oitavas de final. Os
soviéticos se encheram de esperança quando um computador ou algo parecido,
denominado Cérebro Eletrônico, em processo experimental, preconizou um triunfo do time russo. Claro que
houve preocupação entre os jogadores da Pátria Amada, o que levou o psicólogo
José Carvalhaes a manter permanente diálogo com o time, especialmente com um ou
outro jogador em particular, entre os quais, o habilíssimo e pelo que se dizia,
de raciocínio curto, Mané Garrincha, legítimo descendente dos Índios Fulniô,
que ainda hoje se espalham entre Águas Belas, no Agreste Meridional de
Pernambuco, e uma parte de Alagoas.
Não deu outra. Durante o jogo,
o Anjo das Pernas Tortas entortou a máquina russa e, com suas famosas estripulias, seu marcador, o famoso Igor Netto.
Garrincha contribuiu para que
o veterano Didi e o iniciante Pelé, fizessem os dois passes que o pernambucano
Vavá transformou nos gols que levaram o Brasil a conquistar uma sensacional
vitória por 2 x 0.
Eliminamos os soviéticos e deixamos
o “monstro” eletrônico na saudade. O resto já se sabe, como contou – e cantou –
o produtor e humorista Luiz Queiroga, através de “Os Três Boêmios”, da Rádio
Clube de Pernambuco, em disco do selo Mocambo, da pernambucana fábrica de
discos Rozenblit, no samba Escola de Feola:
“Didi, Pelé, Vavá
Bailaram lá na Europa
E a Copa vem pra cá
(No duro)
Gylmar, De Sordi e Belline
Famoso trio final
Fizeram do meu Brasil
O campeão mundial
Zagallo, Zito e Garrincha
Nilton Santos e Orlando
São os campeões do mundo
Que o Brasil está saudando
Cinco a dois.”
Numa escala no Recife, onde
foram homenageados na marra, graças à brabeza com que o célebre Rubem Moreira
enfrentou os cartolas da delegação, os jogadores já desceram do avião ouvindo a
música que os louvava. Cada um foi presenteado com um disco contendo sua foto e
um oferecimento pessoal. Chique, não? Alegria total entre os jogadores campeões
mundiais!
Obs.: 1) Feola era o técnico
Vicente Feola; 2) De Sordi foi o titular durante toda a competição, exceto na
final, quando uma contusão o levou a perder a posição para Djalma Santos.
Todavia, a música já estava gravada, faltando apenas inserir o placar, e
Queiroga e o pessoal da Rozenblit resolveram deixar como estava para evitar um
atraso na regravação.
Quanto ao Cérebro Eletrônico
parece que tirou o time de campo, pois nunca mais se ouviu falar nele, pelo
menos ao redor dos gramados.
A BOLA GOSTA É DA GRAMA!
"A bola é feita de couro, o couro vem do boi, e se o boi come capim, grama é capim, assim a bola gosta da grama." Era assim que o célebre Gentil Cardoso advertia algum jogador que insistia em mandar a bola para o alto quando não havia necessidade. Esta e outras histórias estão sendo abordadas por mim e por Marcelo Aragão em mais um Bola em Família, via YouTube.



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