Por CLAUDEMIR GOMES
Os torcedores pernambucanos
estão em contagem regressiva para o início do campeonato estadual, que começa
na próxima sexta-feira (09/01/26). A primeira edição do Pernambucano foi
disputada em 1915, com a participação de cinco clubes, todos do Recife. Este
ano – 2026 – teremos uma competição com oito clubes, e com a maioria dos jogos
acontecendo na Capital Pernambucana. O sentimento é de que, ao longo desses 111
anos (1915/2026), a bola, em seus movimentos de rotação e translação, deu uma
guinada de 360 graus, e nos trouxe de volta ao ponto de partida. Em mais de um
século de história vivenciamos momentos memoráveis; testemunhamos ascensão e
queda de algumas tribos; vimos agremiações à deriva em mares tenebrosos;
assistimos a coroamentos e deposições de “reis”, como uma consequência natural
do futebol onde a bola rola para os dois lados. Os movimentos de rotação e
translação promovem mudanças, e quem não se adapta a elas fica preso a um
passado que não volta, embora muitas vezes os fatos pareçam sazonais.
Privilegiados foram os que participaram dos grandes banquetes. Privilegiados
são os vivem a nova ordem de um futebol sem fronteiras. Como bem ressalta o
sábio radialista, Adherval Barros, “o importante é ter histórias pra contar”. O
centenário Campeonato Pernambucano começou pequeno, restrito aos clubes
recifenses, mas cresceu, se agigantou, chegou ao extremo oeste do Estado;
percorreu as regiões da Mata Norte e da Mata Sul, mas sucumbiu, igual a todos
os outros estaduais, diante da internacionalização do futebol, uma imposição
dos tempos modernos.
O inédito hexa conquistado
pelo Náutico nos anos 60; o tri supercampeonato do Santa Cruz – 1957, 1976 e
1983 – assim como o vigésimo título conquistado pelo Sport em 1975, que mudou o
rumo da história do clube da Ilha do Retiro, são feitos que enriquecem a
história num período de crescimento e transformações. Fatos que traduzem a
grandeza de um futebol que cresceu sobre o alicerce de três pilares: Náutico,
Sport e Santa Cruz.
O Trio de Ferro da Capital,
por uma série de fatores que vai além da tradição, segue creditado para brigar
pelo título doméstico da temporada. Os demais participantes – Decisão, Maguary,
Retrô, Jaguar e Vitória – são coadjuvantes a serem respeitados como
complicadores que podem atrapalhar a vida dos que realmente têm condições de
pôr a mão na taça. Embora seja um clube contemporâneo do Século XXI, o Retrô já
possui dois vice-campeonatos. Em síntese: a Fênix mandou a bola duas vezes na
trave, e pode vir a ser o fato novo em 2026. Apesar do pouco interesse que
desperta, o Campeonato Pernambucano é a única competição que nossos clubes
participam com crédito para serem campeões. Nas disputas regionais e nacionais
se posicionam no lugar comum dos francos atiradores. Por imposição das
mudanças, estão nos servindo um campeonato tão pequeno quanto o que foi posto
na mesa há 111 anos. Como bem cantou o controverso Cazuza, “Eu vejo o futuro
repetir o passado/Eu vejo um museu de grandes novidades/O tempo não para, não para,
não para”.
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