HISTÓRIAS DO MUNDO DA BOLA-Lenivaldo Aragão

 


NOVAMENTE O JUIZ QUE APITAVA E DIVERTIA (2)

 



Voltando a Ramón Dinamite, o aloprado árbitro de futebol de Campina Grande, na Paraíba, que fazia mil presepadas, levando a torcida a cair no riso, vou contar mais umas coisinhas dessa notável e engraçada figura do mundo da arbitragem.

Para os torcedores campinenses, já acostumados às circenses atuações de seu mais popular juiz, Severino – este era seu nome – tornou-se, acima de tudo, um ídolo.

Baixinho, com seu 1,58m de altura, começava a divertir o público já quando entrava em campo. Corria o tempo todo e tinha um estilo que definia como próprio:

– Todos ligam minha maneira de atuar à daquele juiz francês (Robert Wurtz) que andou pelo Brasil em 1974, quando a Seleção estava se preparando para a Copa da Alemanha. Mas não existe imitação alguma. Se somente agora é que estou aparecendo no futebol de campo, antes, no futsal, já divertia os torcedores – me disse Ramón Dinamite numa entrevista a mim concedida.

Inúmeras são as histórias que ele protagonizou enquanto apitava. Na preliminar de um encontro do Treze com o Ceará, jogavam duas equipes de amadores, com ele no apito, quando dois jogadores se desentenderam. Terminada a briga, o juiz fez com que os brigões se abraçassem. Em seguida levou-os pelo braço à linha lateral do campo. E, diante da torcida, apresentou o cartão vermelho aos valentões, que já se consideravam perdoados com o abraço forçado.

 GELO NA CUCA

Num amistoso do Campinense na cidade de Cubati, na Paraíba, um jogador da equipe local se soltou dando pontapés a torto e a direito. Ramón Dinamite não quis conversa. Chegou perto de um dos massagistas, arrebatou a bolsa de gelo e deu um banho no valentão. Depois explicou-se:

– Se o cara estava de cabeça quente, nada melhor do que gelo para esfriar a cuca dele.

Severino repetiu o banho várias vezes na sua movimentada e hilariante carreira. E quando não encontrava gelo por perto, ficava soprando a cabeça de todo jogador que mostrava sinais de nervosismo.

 

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