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| Foto: Reprodução |
Lenivaldo
Aragão
Neste 2 de
fevereiro de 2026 mando um abraço para o povo da querida vila do Pará, no município
de Santa Cruz do Capibaribe. A
localidade está festejando 100 anos de fundada e, entre os itens programados
para comemorar o histórico momento, haverá o lançamento do livro “Vila do Pará,
100 Anos de História”. Os autores são
José Chagas Neto e Nelma Mirian Chagas de Araújo Meira – a família Chagas
constitui um dos ramos tradicionais do Pará, como é chamada a antiga povoação, inicialmente
pertencente à cidade de Taquaritinga do Norte, juntamente com as vilas de Poço
Fundo e Santa Cruz, por esta englobada em 29-12-1953, com a transformação da Terra
das Confecções em município. O velho Pará, como é tratada carinhosamente a vila
pelos naturais da terra ou pelos adotados, situa-se a poucos quilômetros da
vasta extensão do Cariri paraibano que domina a área.
Embora
distante, sinto-me presente espiritualmente na festa, ouvindo a Zabumba de Seu
Chico Cavalcanti, acompanhado dos filhos Ivo e Doba, este o melhor goleiro que
vi defendendo o Royal.
O conjunto musical,
que contava com outros componentes, estava sempre presente às festas de São
Sebastião (20 de janeiro), no alto da Serra do Pará, onde existe um cruzeiro e uma imagem do santo; do Senhor São José (19 de março) e Santa Terezinha
(4 de outubro), estas na capela da vila.
Às vezes pintava
num desses festejos a Sociedade Musical Novo Século, de Santa Cruz. Meu avô paterno, Tito Sinésio Aragão, que
junto de outras pessoas influentes do lugar, muito batalhou por tudo o que
interessava à população, era muito importante na banda, onde tinha irmão e sobrinhos.
Como qualquer sócio tinha direito a, pelo menos, uma tocata por ano.
Nascido em
Santa Cruz, vez por outra eu acompanhava meu pai Abner, que lá comparecia à
feira das terças-feiras, às vezes acompanhado de meu irmão Lenildo e de nossa
mãe Donina, morta em plena mocidade, com 34 anos de idade.
Terminamos
morando algum tempo no Pará, onde fizemos muitos amigos. Alguns, como eu,
desafiam o tempo, como Heleno Galdino ou Heleno de Leó, o popular Neguinho,
filho de um primo-irmão de meu pai. Ou Geraldo Figueiroa, o popular Nado, que há
muitas décadas, como este locutor que vos fala vive no Recife. A grande maioria
debandou para o Sul Maravilha e outros já partiram deste mundo.
Com esta
comemoração sinto-me como se estivesse no Pará, acompanhando Maria Santana na
subida à Serra para pagamento de uma promessa, acompanhada pela Zabumba de Seu
Chico Cavalcanti. Da Serra para uns mergulhos no Açude do Gado. Ou no fim da
tarde, acompanhando a expectativa dos apostadores do jogo de bicho pela chegada
de Inácio Moura, um dos filhos do casal João e Amélia Moura.
O resultado
do sorteio da milhar – assim mesmo, no feminino – era transmitido diariamente,
às três horas da tarde, pela Rádio Clube de Pernambuco. Acontece que nenhum
habitante do Pará possuía receptor. Contratado por Seu Nequinho, que tinha
banca em Santa Cruz e filial no Pará, Inácio ia diariamente, de bicicleta à “metrópole”
esperar o anuncio pela antiga PRA-8 após o que tocava as pedaladas de volta. Se
houvesse qualquer atropelo, tome agonia por parte da turma de pule na mão.
O Pará que
vivi não era só isso. Tem mais, porém é coisa para outra oportunidade, como a
primeira vez em que vir uma garrafa de Coca-Cola. Ou as conversas, à noite, na mercearia de Seu
Zé Quirino, sob um lampião a gás, pois não havia eletricidade. Conversas que
não deveríamos estar ouvindo, pois era coisa de adulto, dizia-nos papai. O
velho Pará de uma única rua, no barro batido, hoje já espanta quem passa muito
tempo sem botar os pés lá.

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