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| Bruno Becker (C), presidente do Náutico, na reunião da CBF (Rafael Ribeiro-CBF) |
A Confederação Brasileira de
Futebol (CBF) anunciou, durante a reunião do Conselho Arbitral da Série B nesta
quinta-feira (5), a criação do Programa de Apoio à Reestruturação Financeira de
Clubes da Série B (PARF-B). A iniciativa visa fortalecer a sustentabilidade
econômica da competição, vinculando o suporte financeiro da entidade ao
compromisso dos clubes com a responsabilidade financeira e com boas práticas de
gestão. Durante a reunião, foi definida também a criação de “playoffs” entre os
times que finalizarem a competição da 3ª à 6ª colocações.
A CBF deu mais uma
demonstração concreta de valorização de seus produtos com o anúncio do PARF-B,
anúncio que garante tranquilidade financeira e equilíbrio competitivo para a
edição deste ano da Série B. Através do programa, a CBF confirma que continuará
a financiar integralmente as despesas de logística (transporte e hospedagem),
de exames antidoping e as taxas de arbitragem para a disputa da competição.
No entanto, a partir desta
temporada, a manutenção desse benefício estará estritamente condicionada ao
cumprimento de uma série de requisitos que fazem parte do arcabouço do Sistema
de Sustentabilidade Financeira (Fair Play Financeiro) criado pela CBF, demandando
como contrapartida colaboração e transparência pelos clubes.
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| Dirigentes da CBF entusiasmados (Rafael Ribeiro-CBF) |
Para o presidente da CBF,
Samir Xaud, o desfecho da reunião foi o esperado tanto pela parte da CBF como
pelo lado dos clubes. “Foi uma reunião muito produtiva. Estamos numa
reconstrução dos nossos campeonatos. É um produto que estava desvalorizado e
estamos trabalhando nessa valorização. Chegamos num denominador comum, achamos
uma forma de enaltecer o nosso produto, de valorizar ainda mais e ajudar os
clubes, pensando na sua saúde financeira como um todo, chegando em um modelo de
gestão que estamos implementando aqui na CBF. Nada mais justo do que a CBF
continuar ajudando os clubes financeiramente, aportando alguns gastos, mas em
contrapartida os clubes mostrarem esse controle financeiro”, disse Xaud.
A PALAVRA DO NÁUTICO
Entre os representantes de
clubes, o desfecho da reunião do Conselho Arbitral trouxe uma sensação de
renovação da Série B. Guilherme Bellintani, dono da SAF do Londrina, acredita
que a união entre uma nova fórmula de disputa e a obrigatoriedade da responsabilidade
fiscal e financeira dos clubes representa um caminho próspero para a Série B.
“Acho que a Série B sai daqui
absolutamente renovada. A mudança no modelo competição, incluindo os playoffs,
faz com que até o último momento da competição o meio de tabela continue
disputando o acesso. Isso é muito positivo, acho que o público ganha, o torcedor
ganha, os clubes ganham. E em relação às finanças de cada clube, especialmente,
o que a gente vê é um movimento de certa forma inédito na CBF, que é sustentar
o processo de financiamento da logística, um procedimento histórico da relação
dos clubes com a CBF, mas avançar nesse sentido, condicionando isso ao
cumprimentos das primeiras regras do Fair Play financeiro”, disse.
Outro que se mostrou favorável
à nova dinâmica que norteará a Série B foi o presidente do Náutico, Gustavo
Becker. Seu clube está voltando à segunda divisão nacional, que havia disputado
pela última vez em 2021, quando foi rebaixado para a Série C, equivalente à
Terceira Divisão.
A criação do PARF-B e o
equilíbrio que a medida trará para a competição foi elogiada também por Náutico
e São Bernardo, clubes que já estavam amparados pela assinatura de um acordo
comercial diretamente com a CBF, mas que também se mostraram favoráveis à
medida, em prol de uma competição mais isonômica.
“O dilema maior era a questão
dos dois blocos que se formaram na Série B, que era de Náutico e São Bernardo,
os demais 18 clubes, e a questão da logística. E a CBF trouxe uma saída
inteligente, que fomenta a competição. Ou seja, não é uma decisão que deixa os
clubes sem ter esse amparo. Mais uma vez, é uma situação em que todos ganham, a
CBF ganha e o futebol ganha, porque tudo, no final, vai direcionar para essa
questão da responsabilidade do gestor com o Fair Play financeiro”, disse o
presidente do Náutico, Bruno Becker.
FORMATO DA DISPUTA
Outra grande novidade é a
alteração do formato da competição, com a criação de um sistema de “playoffs”
ao término das 38 rodadas de pontos corridos, envolvendo os quatro clubes
posicionados da 3ª à 6ª colocação. Com a proposta, aprovada por maioria de votos
dos representantes de clubes presentes, as duas vagas restantes de acesso serão
definidas ao fim de confrontos de ida e volta, com o 3º colocado enfrentando o
6º, e o 4º disputando contra o 5º.
“Buscando possibilidades de
criar maior valor comercial, maior atratividade para a competição da Série B,
nós propusemos para debate e votação entre os 20 clubes presentes na reunião do
Conselho, a cereja do bolo da reunião de hoje, com a implementação do Playoff.
A partir deste ano na Série B, os clubes que ficarem de terceiro a sexto, ou
seja, esses quatro clubes, eles jogarão duas partidas, ida e volta, para que
sejam determinados os últimos dois clubes que subirão junto com o primeiro e o
segundo colocado na classificação geral para a Série A do ano de 2027”, disse
Julio Avellar, diretor de Competições da CBF.
Ele acredita que as alterações
definidas em reunião podem trazer maiores possibilidades comerciais para a
Série B.
Outra grande mudança foi a
decisão dos clubes de alterar o calendário inicial, que previa uma pausa
durante o período de Copa do Mundo, para incluir partidas da Série B enquanto o
Mundial estiver acontecendo. Para Avellar, esta medida pode aumentar o nível
técnico da competição.
“Com isso vamos conseguir
espaçar mais os jogos, o que aumenta o nível técnico, ajuda na preparação e na
recuperação física dos atletas e até na logística dos clubes”, concluiu.
CRITÉRIOS DE EXCELÊNCIA
O PARF-B está sendo desenhado
para premiar a gestão responsável e a transparência. Para permanecer no
programa e usufruir do custeio das despesas operacionais, os clubes deverão
cumprir os requisitos do novo Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF) da
CBF.
Além das regras gerais do
sistema, os participantes deverão observar novos indicadores específicos de
desempenho e conformidade, focados em solvência, modernização de gestão e
transparência. O detalhamento técnico desses indicadores será apresentado em regulamento
próprio, a ser divulgado pela CBF até o final de fevereiro.
Guilherme Bellintani, da SAF do Londrina,
acredita que a Série B foi "renovada" com as decisões da reunião.
O monitoramento dos
indicadores e a auditoria das informações prestadas ficarão a cargo da Agência
Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), instituição
independente criada pela CBF especificamente para a fiscalização e gestão do
Fair Play Financeiro da entidade.
O objetivo é fomentar um
ambiente de negócios mais seguro, onde os recursos economizados pelos clubes
com a isenção de custos operacionais sejam efetivamente direcionados para o
saneamento de passivos e para a reestruturação interna.
PERMANÊNCIA
A adesão ao programa é
facultativa, mas a fiscalização será contínua ao longo de todo o campeonato.
Caso a agência reguladora identifique o descumprimento dos requisitos de gestão
e governança estipulados no regulamento, o clube estará sujeito à exclusão do
programa.
Nesse cenário de
desenquadramento, o clube perderá imediatamente o subsídio da CBF e passará a
ser o único responsável pelo pagamento de seus próprios custos de logística e
arbitragem até o fim da competição.
Fonte: CBF
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| Guilherme Belinta, da SAF do Londrina (Rafael Ribeiro-CBF) |



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