PEGANDO O BIGU

 

Foto: Reprodução



Via Luciano Juba, do Bahia, Pernambuco espera tirar uma casquinha na Copa




LENIVALDO ARAGÃO







Em tempos idos, quando a Seleção  estava para ser convocada, surgia  uma certa expectativa sobre a possibilidade de algum jogador que atuasse em um dos nossos clubes, pernambucano da gema ou não, viesse a ser lembrado.

Só havia esse tipo de ansiedade porque existia gente capacitada por aqui, não obstante a preferência dos treinadores pelos craques do Centro-Sul, que eles conheciam de perto.

A informação era precária, ao contrário dos tempos atuais. Lembro-me que em certo sábado, à tardinha, no longínquo 1976, o técnico da Amarelinha, Osvaldo Brandão, saía dos Aflitos após um jogo, em companhia de seu amigo Waldomiro Silva, um descobridor de talentos, ligado ao Santa Cruz.   Conversei rapidamente com o treinador da nossa equipe nacional. Logicamente, a Seleção veio à tona. Em dado momento, o gaúcho Brandão soltou a informação: “Vou lhe dar uma novidade. Na próxima convocação vou chamar Genivaldo...” Logo sentiu a mancada e tratou de retificar com a ajuda de “Waldó”: “Genivaldo não, Givanildo”.

Já se esperava, pois o volante baixinho, carinhosamente apelidado como Topo Giggio (um boneco que divertia a criançada na televisão) vinha sendo bastante badalado. Suas atuações com a camisa 5 do Santa, Brasil afora, chamavam a atenção.

Junto com Givanildo, Brandão convocou para a Copa do Atlântico, realizada naquele ano e envolvendo  Argentina, Brasil (campeão), Paraguai e Uruguai, o catarinense Falcão, que brilhava no futebol gaúcho. Ambos estrearam no selecionado nacional, naquela competição.

Sem falar em outros, como Ademir, Orlando Pingo de Ouro, Manga, Rildo, Almir, Juninho Pernambucano, Rivaldo etc., requisitados quando defendiam equipes do Sul Maravilha,  Pernambuco já tivera na Canarinha, Nado, chamado para a fase preparatória para o Mundial de 1966, ao lado de mais 44 jogadores. É verdade  que o olindense, um ponta-direita  driblador,  estava em negociações para ir defender o Vasco. Mas ainda era profissional do Náutico, e como tal foi chamado.

Também tiveram vez, entre outros, sem estar jogando por um time do Rio ou São Paulo,  Nunes (Santa Cruz), Roberto Coração de Leão, Leomar, Betão e Joãozinho (Sport). Destes, só Roberto é da terra.

Bita, do Náutico, irmão de Nado, o conhecido Homem do Rifle, foi cotado mais de uma vez, porém,

não passou disso.  

Já Ramon, do Santa Cruz, artilheiro do Brasileiro de 1973, com 21 gols, 1 à frente dos segundos colocados, Leivinha (Palmeiras) e Mirandinha (São Paulo), que balançaram as redes 20 vezes, o máximo que conseguiu foi ficar entre os 40 jogadores registrados para a Copa do Mundo de 1974, realizada na Alemanha.

Coisas do futebol brasileiro, diria o saudoso Edvaldo Morais, posto que dificilmente uma seleção de qualquer nação abriria mão do artilheiro do país.

Hoje, os torcedores de Pernambuco já não têm as mesmas  esperanças de outrora. Nosso nível está muito baixo.

Um pernambucano que joga fora, Luciano Juba, do Bahia, figure na agenda do italiano Carlo Ancelotti, o técnico do Brasil.

Seria a maneira de o desacreditado futebol pernambucano tirar uma casquinha na Seleção.


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