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| Rubem Moreira (Arquivo) |
Numa suculenta buchada, Rubão segurou o Central
A história que segue está
baseada num relato que me foi feito pelo experiente e competente jornalista
e memorialista de Caruaru
Tavares Neto. Está inserida num balaio
de “causos” que contarei sobre Rubem Moreira, o quase eterno presidente da
Federação Pernambucana de Futebol, 27 anos de mandato ininterrupto, num livro
que estou escrevendo, o qual, embora não sendo uma biografia, dá uma mergulhada
na sua caminhada esportiva.
Quem acompanhou os primeiros
passos do Central a partir de 1961, quando de sua chegada pela segunda vez ao
Campeonato Pernambucano – a primeira foi em 1937 – sabe das críticas que os
clubes do Recife faziam ao seu campo. E aqui pra nós, havia algum motivo, mas nada
de tirar da rota o velho Central Parque,
depois Pedro Victor e hoje Lacerdão,
como se insinuava de vez em quando. Mas vamos aos fatos, de acordo com a narrativa
de Tavares.
Quando Pedro de Melo, um importante
empresário caruaruense, era diretor de futebol do Central, no retorno ao Campeonato
Pernambucano, em uma reunião na Federação Pernambucana de Futebol, no Recife, o
empresário Wilson Campos, presidente do Clube Náutico Capibaribe, disse que seu
time não iria jogar no Estádio Pedro Victor de Albuquerque porque o campo não
tinha as mínimas condições.
Pedro de Melo retornou a
Caruaru e esperou o regresso de Rubem Moreira, que estava no Rio de Janeiro, participando
de uma reunião na CBF.
O Central não iria disputar o
Campeonato e houve muito comentário na imprensa falada – Rádio Difusora de
Caruaru, hoje Rádio Jornal e Rádio Cultura do Nordeste, dos irmãos José e
Onildo Almeida, o que fez a feira de Caruaru ser conhecida no Brasil inteiro e
em boa parte do mundo, tendo os três semanários da cidade, A Defesa, Vanguarda
e A Voz do Agreste aderido à causa.
Na volta do Rio, Rubem Moreira deu a maior popa ao saber das
declarações do mandachuva do Náutico e foi logo dando a sua sentença: “Quem
manda em Pernambuco (no futebol, claro) sou eu e o Central vai disputar o Campeonato”.
E no seu jeito muito sutil de dar um basta quando o tempo tendia a esquentar,
fez uma ameaça após garantir a presença da Patativa na competição: “E se Wilson
Campos me abusar eu tiro o Náutico do Campeonato.”
Serenados os ânimos, ninguém
saiu da disputa estadual. “Tudo foi resolvido com uma entrevista de Rubão em
Caruaru e uma buchada”, conta Tavares Neto, testemunha ocular da história.


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