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| Foto: Arquivo |
LENIVALDO ARAGÃO
Ney Andrade quer camisas de América e Sport nos 90 anos
Na foto que
ilustra este texto temos uma formação do Sport no Campeonato Pernambucano de
1958: em pé, Bria, Manga (o pernambucano), Osmar, Nicolau, Zé Maria e Ney
Andrade; Traçaia, Pacoti, Walter (pernambucano, apelidado de Barrão, Soca e
Elcy.
O Leão tinha
sido campeão em 1955, no seu cinquentenário, e bi em 1956, comandado,
respectivamente, por Gentil Cardoso, pernambucano de vivência carioca, e pelo argentino Dante Bianchi. O esperado tri
não veio, e o Santa Cruz fez a festa ao levantar
seu primeiro supercampeonato, o de 1957.
Em 1958, porém,
o Rubro-Negro voltou a levantar a taça, ainda
dirigido por Dante Bianchi, depois de uma campanha constante de 26 jogos.
Do grupo que aparece
na foto, Manga e Elcy foram revelados pelo Leão. Manga era figura carimbada nas
peladas do bairro dos Coelhos, e Elcy, carioca, se transferiu com a família
para cá, pois o pai pertencia à Aeronáutica.
Bria, baiano de
Santo Amaro de Purificação, terra de Caetano Veloso e Maria Betânia – “Conheci
os dois quando ainda eram crianças”, dizia, com orgulho – foi descoberto pelo
Sport quando estudava, para ser técnico em agricultura, na antiga Escola
Agrícola de Areia-PB. Em 1948 deixava o curso para vestir a camisa leonina, o que
fez até 1963. Lateral direito e às vezes zagueiro central, destacava-se pelo
vigor. Faz parte da história do clube da Ilha, como o que jogou mais vezes pelo
Leão: 556 atuações.
A sensação do
time era o cearense Pacoti, vindo do Ferroviário-CE, e que se tornou o
artilheiro recordista do certame estadual, na época, com 36 gols. Logo era
contratado pelo Vasco da Gama, de onde saiu para jogar pelo Sporting de Portugal.
O capitão do
time era o paraense Zé Maria, volante, muito querido pelos companheiros e pelos
adversários. Em 1952, depois de transformar o campo dos Aflitos, num estádio de
verdade, o Náutico organizou o Torneio dos Campeões do Norte-Nordeste, para
solenizar sua inauguração, com a participação dos campeões estaduais Tuna Luso
(PA), Ceará (CE), América (RN), CRB (AL), Confiança (SE) e Ypiranga (BA). A
Tuna foi vice-campeã, tendo perdido a final para o Náutico. Zé Maria, volante
do clube paraense, foi considerado por
unanimidade o destaque do torneio e pouco depois deixava sua terra para vir
defender o Sport, ao qual esteve vinculado até 1960. Defendeu também o Náutico
e o América. Foi da Seleção Pernambucana, a popular Cacareco, que representou o
Brasil num Campeonato Sul-Americano (hoje Copa América) em 1959, no Equador.
Outro que
marcou indelevelmente sua passagem pelo rubro-negro pernambucano foi o mato-grossense
Traçaia. Defendeu o Sport de 1955 a 1962 e é o maior goleador da saga leonina,
com 202 gols assinalados em 240 partidas. Como Zé Maria, foi da Seleção
Cacareco.
Oscar, Nicolau
e Soca vieram do Sudeste, enquanto Ney Andrade procedeu do Rio Grande do Norte,
onde defendia o ABC. Em Pernambuco defendeu também o América. Virou ídolo do
Bahia. Mesmo após descalçar as chuteiras,
morou no Recife, trabalhando em banco. Fixou-se definitivamente na Boa Terra, onde
ainda é muito festejado. Vinha periodicamente à Terra dos Altos Coqueiros, do
Frevo e do Maracatu, a serviço de uma rede bancária à qual era vinculado.
Nessas viagens, a resenha com Laxixa, ex-companheiro no Sport e gerente de
banco era indispensável. Claro que a situação, boa ou má, do time leonino fazia
parte da conversa.
No que se refere ao América, aqui está uma escalação do Campeão do Centenário no Campeonato Pernambucano de 1964, empate por 2 x 2 com o Náutico: Lula Vasquez; Cícero, Bria, Gilson Saraiva e Ney Andrade; Zé Maria e Erick; Babá, Ailton, Luiz Carlos e Fernando.
Pelo que sei, desses
da foto, o potiguar Ney Andrade é o único que ainda está vivo. Dentro de alguns
dias vai completar 90 anos de idade, e na comemoração não faltará um painel com
as camisas dos clubes que o ex-lateral esquerdo defendeu, incluindo os
pernambucanos Sport e América.

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