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| Primeiros campeões pernambucanos pelo Sport (Arquivo do Blog) |
Leão
da Ilha comemora 121 anos de atividades
A
torcida do Sport Club do Recife está festejando o 121º aniversário de fundação
do seu rubro-negro de coração. O clube da Ilha nasceu em 13 de maio de 1905,
por iniciativa de um jovem recifense chamado Guilherme de Aquino Fonseca. Ele
havia regressado da Inglaterra, onde passara cinco anos estudando .
Numa data tão festiva para a comunidade do tradicional Leão da Ilha, estamos trazendo nesta matéria os nomes de todos os que assinaram a ata de fundação, ao mesmo tempo em que falamos do primeiro dos 47 títulos de campeão pernambucano conquistados pelo clube leonino.

O fundador Guilherme de Aquino Fonseca (Arquivo do Blog)
ATA
DE FUNDAÇÃO
Às
12 horas da manhã, no salão da Associação dos Empregados no Comércio de
Pernambuco, gentilmente cedido pelo seu Conselho Diretor, achando-se presentes
os Srs. Boaventura Alves de Pinho, Paulino de Miranda, Guilherme d’Aquino
Fonseca, Alberto Bandeira de Melo, Frederico Rufino d’Oliveira, Joaquim da
Silva Pereira, Augusto Pereira de Oliveira, Oscar Gonçalves Torres, Guilherme
d’Oliveira, Guilherme R. da Silva, Alberto Teixeira Pinto Saraiva, Amaro de
Melo Rezende, Carlos de Melo Rezende, Sílvio N. da Fonseca, Osvaldo Neri da
Fonseca, Augusto Brandão da Rocha, Artur
Nogueira Lima, Alberto Pereira Magalhães, Delfim d’Azevedo Palmeira, Eduardo da
Silva Coelho, Vicente Silva, Carlos Menezes, Raimundo C. da Silva Cassundé,
Francisco Caraciolo M. Coelho, José dos Santos Araújo, Luiz Mascarenhas Leite,
Carlos de Gusmão Coelho, Joaquim Loureiro, João Regadas, Oscar Artur dos
Santos, Augusto G. Fernandes Júnior, Jorge A. Oliveira, José Maria Carneiro da
Cunha, Carlos Von Sohsten, Francisco Jorge de Melo, Oscar Amorim, Alberto
Amorim, Mário Sette e Elísio Alberto da Silveira, foi aclamado para presidente
da Assembleia Geral o Sr. Boaventura Alves de Pinho, que assumiu o exercício
com aplausos gerais dos sócios presentes.
Pelo Sr. Presidente foram convidados
para secretários, os Srs. Elísio Alberto da Silveira e Paulino de Miranda.
Pela ordem pediu a palavra o Sr.
Frederico Rufino d’Oliveira, que, em eloquentes frases, expôs o fim da reunião,
tendo o Sr. Presidente declarado achar-se fundado o SPORT CLUB DO RECIFE,
nomeando por esta ocasião uma comissão composta dos Srs. Guilherme d’Aquino
Fonseca, Paulino Miranda e Elísio Alberto da Silveira, para confecção dos
Estatutos, cuja incumbência aceitaram, prometendo dar desempenho ao seu mandato
o mais breve possível.
Nada mais havendo a tratar o Sr.
Presidente encerrou a sessão, designando
o dia 28 do corrente para ter lugar nova reunião a fim de serem apresentados e
discutidos os Estatutos.
Sala das Sessões do Sport Club do
Recife, 13 de maio de 1905
aa) Boaventura Alves de Pinho –
Presidente
Elísio Alberto da Silveira – 1º Secretário
Paulino A. Miranda – 2º
Secretário
PRIMEIRO
TÍTULO
O
primeiro Campeonato Pernambucano, levantado pelo alvinegro Flamengo, em 1915, contou com a presença dos clubes América
(começou a disputa como João de Barros e mudou de nome durante a competição,
conservando as cores, o branco e o verde), Centro Esportivo do Peres (branco e
roxo), Colligação Sportiva Recifense (amarelo e preto), Santa Cruz (preto, branco e vermelho) e Torre
(vermelho).
O
sucesso alcançado com a primeira edição fez com que outras equipes se
interessassem em participar do campeonato. Assim, em 1916 houve uma grande
movimentação no Recife, diante das notícias que davam conta da presença de
quatro novos times, o que se confirmou. A novidade foi a entrada de Sport e
Náutico, que já começavam a reunir um bom número de adeptos, além do Paulista e
do Casa Forte.
Os
clubes foram distribuídos em dois grupos. No A ficaram aqueles que haviam
participado do campeonato anterior: América, Flamengo, Peres, Santa Cruz e
Torre; o B contou com os quatro novatos.
O público já tinha ideia da
capacidade dos times que haviam disputado o certame anterior. O alvinegro
Flamengo lutaria pelo bicampeonato, mas acreditava-se muito na capacidade do
Santa Cruz. A curiosidade era em torno da presença das novas equipes, principalmente
Náutico e Sport, ambas fadadas a ter vida longa no futebol pernambucano, a
julgar pelo entusiasmo com que os torcedores defendiam suas cores.
O Tricolor mostrou que aqueles que
faziam cálculos otimistas em torno de sua segunda participação no campeonato
não estavam enganados. Mesmo tendo sido derrotado pelo Torre e pelo América, a
equipe do bairro da Boa Vista levantou o Grupo A, capacitando-se a disputar o
título de campeão do ano.
GOLEADAS
ARRASADORAS
No Grupo B, o Sport aplicou a primeira
grande goleada de sua trajetória, ao derrotar o Náutico por 8 x 0, numa partida
em que se conclui, pela elasticidade do placar, que tudo deu certo para a
equipe leonina. Do outro lado, ao contrário, as coisas andaram de mal a pior.
Com aquele estrondoso resultado, que repercutiu durante muito tempo no Recife,
o Sport mostrava sua força no campeonato. Outra vítima da impetuosidade dos
rubro-negros foi o Casa Forte, que, pelo visto, não era tão forte assim, pois
se rendeu ao time de Guilherme de Aquino pela contagem de 10 x 0.
No primeiro turno a festa fora da
torcida alvirrubra, com uma convincente vitória sobre os rubro-negros pela
contagem de 4 x 1. Com o decorrer da competição, Náutico e Sport surgiam como
os verdadeiros candidatos a levantar o Grupo B, capacitando-se, assim, a
decidir o segundo Campeonato Pernambucano com o vencedor do Grupo A, no qual o
Santa Cruz ia dando as cartas.
A rivalidade entre alvirrubros e
rubro-negros fora iniciada naquele 25 de julho de 1909, quando no primeiro
encontro das duas equipes, o Náutico, ainda dando seus primeiros passos no
futebol, surpreendeu ao derrotar o já experiente Sport pelo placar de 3 x 1. (Durante muito tempo a
data desse jogo foi dada como tendo sido 24 de julho, mas graças ao pesquisador
Carlos Celso Cordeiro houve a retificação). Dias depois, precisamente em 15 de
agosto, veio a revanche. Novamente o Alvirrubro resistiu, e a partida terminou
empatada por 0 x 0. Esse jogo foi realizado no campo de Santana, localizado na
área onde existe hoje um supermercado, em Casa Forte.
Em 1916, com os dois rivais
participando pela primeira vez do Campeonato Pernambucano, ficava evidenciado
pela vibração das torcidas, que duas autênticas forças estavam surgindo em
Pernambuco. Depois da vitória alvirrubra por 4 x 1 e da goleada rubro-negra por
8 x 0, Sport e Náutico voltaram a se enfrentar numa partida extra para
determinar o adversário do vencedor do Grupo A, no caso o Santa Cruz, na
disputa do título de campeão pernambucano. Outra vitória rubro-negra, desta vez
por 3 x 1. Assim, o Sport classificou-se para disputar a taça com o Tricolor.
Na partida extra contra o Santa, na
decisão do título de campeão pernambucano, em plena véspera de Natal, o Sport
se impôs, de maneira categórica, derrotando os tricolores por 4 x 1. Estava
iniciada uma série de conquistas, que teve continuidade em 2026, quando o Leão
levantou a taça pela 46ª vez com ampla vantagem para seus tradicionais rivais,
Santa Cruz (29) e Náutico (24).
RESULTADOS
Para chegar ao seu primeiro título de campeão
do Estado, o Sport obteve estes resultados:
PRIMEIRO
TURNO
21/05
Sport 1 x 4 Náutico
04/06 Sport 5 x 0 Paulista
30/07 Sport 5 x 3 Casa Forte
SEGUNDO
TURNO
01/10 Sport 8 x 0 Náutico
01/11 Sport 5 x 0 Paulista
19/11 Sport 10 x 0 Casa Forte
JOGOS
EXTRAS
17/12 Sport 3 x 1 Náutico
24/12 Sport 4 x 1 Santa Cruz – decisão
PRIMEIROS
CAMPEÕES
No
jogo decisivo contra o Santa Cruz ( 4 x 1) os gols do Sport foram marcados por
Mota (2), Asdrúbal e Vasconcelos. Para o Santa marcou Pitota. O time campeão
foi este: Cavalcanti; Briant e Paulino; Town, Robson e Smethurst; Asdrúbal,
Mota, Anagan, Vasconcelos e Smith.
NOTA: Todos os jogos foram
disputados no campo do British Club, que se situava em Ponte d’Uchoa, nas
imediações de onde está hoje o Museu do Estado de Pernambuco.

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