Histórias do lendário Palmeira
contadas por quem conviveu com ele
No livro “Francisco CAIÇARA-Futebol / Fortaleza / Família”, publicado em 2025, LUIZ ANTÔNIO VIDAL DE NEGREIROS GOMES conta a trajetória do pai, o ex-zagueiro e treinador Caiçara (Francisco Barbosa Gomes).
Caiçara foi um dos maiores ídolos do Náutico na década 1950, com uma rica passagem, também, pelo futebol português, ainda hoje lembrado pelos torcedores do Vitória de Guimarães e, já como treinador, por alguns Estados brasileiros, como Pernambuco, seu berço, e Ceará (Fortaleza Esporte Clube).
Entre inúmeros assuntos, Caiçara
conta alguns episódios sobre o austero e exigente técnico José Mariano Carneiro
Pessoa, o lendário técnico Palmeira (América, Náutico, Santa Cruz, Sport e
Vitória da Bahia), um dedicado profissional, capaz de passar da fineza e
amabilidade para reações as mais explosivas. Por causa do temperamento vez por outra era alvo de uma “greia”.
Vejamos duas narradas por Caiçara, envolvendo também o roupeiro José Manuel,
tratado por Zé Mané. Este, além da função específica, funcionava como vigilante
da concentração, localizada no bairro de Beberibe. Vamos lá:
“Certa vez a equipe estava em
concentração pré-jogo, quando o roupeiro entrou no alojamento e disse:
– Seu Palmeira, os ovos que
estavam no seu quarto desapareceram, por isso não posso dar os ovos para dona
Maria fazer o café da manhã.
Palmeira, então, perguntou:
– Como é possível os ovos
terem desaparecido?
Zé Mané respondeu:
– Não sei não, senhor.
Palmeira, então ‘soltou os cachorros’ e começou a bradar em cima de todos os
jogadores, ali no alojamento, pois o técnico, com razão, sempre pensava que era
algum trote que havia sido planejado por parte dos jogadores. Resultado:
aplicou uma multa de 50% dos proventos de cada jogador do time.
Palmeira, ao orientar a equipe
do Náutico em pleno jogo, esbravejava, mas ao mesmo tempo as broncas tinham o
propósito de elevar o moral de seus atletas.
Era aniversário de um dos
filhos de um jogador. Fomos todos para sua casa no Arruda, Rua das Moças, para
a celebração. Por volta do meio-dia faltou o tira-gosto que acompanhava não
aquele típico camarão grande, pitu, mas à água da
cana pernambucana, homônima, Pitu. Lula, então, levantou-se e disse: – Não tem
problema. Vamos à concentração do Náutico e trazemos tira-gosto.
Naquele tempo, o jogador que
tivesse um carro era considerado rico. Hélio Mota, jogador / jornalista, era o
único abastado da turma. Assim fomos Lula, Djalma, Jaminho e eu. Chegamos na
concentração, que era de Dr. Fernando Wanderley (NR- mais tarde presidente do
clube), descemos do carro e lá só estava Zé Mané, vigiando e tomando conta do
ambiente. Nós, então, fomos tratar de
pegar algumas galinhas pertencentes ao técnico Palmeira, e colocá-las
rapidamente no porta-mala do carro. Tomamos emprestado, digamos assim, quatro galinhas
e um galo. Feito o delito, naquela festa, que havia começado pela manhã,
continuamos a farra até o entardecer.
No outro dia, à noite, fomos
treinar, pois haveria coletivo simulando situações de jogo. Como Palmeira,
quotidianamente, ia à concentração olhar sua pequena granja, lá, tomou conhecimento
do roubo das suas aves. Para surpresa nossa, a sua postura habitual mudou.
Palmeira ficou em pé, na entrada do campo e, no exato momento de dividir os
times, saiu-se com esta inesquecível piada: ‘A defesa...LADRÕES DE GALINHA...vai
para aquele lado.’ Foi uma risadagem geral durante todo coletivo.”

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